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Articulação local gera renda para gestantes adolescentes em SP

A articulação entre os moradores da Vila Brasilândia, em São Paulo (SP), a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro e a Fundação Stickel deu origem ao projeto Mãe Adolescente, que promove oficinas de costura e artesanato para que gestantes a partir dos 13 anos montem o enxoval do bebê e comercializem as peças para gerar renda para a família. Elas aprendem ainda a cultivar hortas com alimentos saudáveis e recebem orientações sobre higiene do bebê e amamentação.

Na Vila Brasilândia, 8,57% das meninas entre 14 e 17 anos estavam grávidas no final de 2009, um percentual maior que a média nacional (7,3%) calculada em 2007 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “A necessidade de desenvolver um projeto com as meninas gestantes foi uma sugestão da própria comunidade pelo número elevado de adolescentes nessa situação”, explica a superintendente da Fundação Stickel, Mônica Picavea.

O levantamento das gestantes foi feito pela Fundação a partir dos prontuários da UBS e das visitas dos agentes do Programa Saúde da Família. Eles convidaram 11 adolescentes grávidas, com idades entre 14 a 20 anos, para participarem das oficinas, que começaram em 6 de maio e vão até 29 de julho. A ideia é que o projeto aconteça duas vezes por ano e atenda meninas de 13 a 24 anos.

Na programação está previsto um grupo de estudos sobre questões de gênero, e palestras sobre retorno aos estudos, planejamento familiar, violência doméstica, sexualidade, amamentação, higiene e alimentação. As meninas já participaram de oficinas de biscuit e costura de roupas de crianças. A idéia é que elas preparem o enxoval e produzam os produtos para vender. “Elas aprendem, por exemplo, a fazer sling [faixa para transportar o bebê preso ao corpo da mãe]. Essa peça está na moda e custa em média R$ 90 nas lojas”, conta Mônica.

As palestras sobre sexualidade serão ministradas por médicos da UBS e as oficinas de artesanato por moradoras do bairro. “É necessário prepará-las essas jovens para a maternidade. A gravidez ocorre num contexto inesperado e elas precisam estar estruturadas emocionalmente para receber o bebê. Se elas se sentem sem perspectivas, como vão conseguir projetar um futuro para seus filhos?”, questiona Mônica.

Link da Publicação: http://aprendiz.uol.com.br/content/merolehice.mmp