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Fundação Stickel redefine seu direcionamento estratégico

Fundação Stickel redefine seu direcionamento estratégico
21/11/2011 – Fundada em 1954, a organização reestrurou sua Missão em 2011, com apoio do IDIS, definindo as artes visuais como um instrumento para promover a inclusão social, cultural e econômica de pessoas e comunidades em um dos bairros de menor índice de desenvolvimento humano da cidade de São Paulo, a Vila Brasilândia.
Se é verdade que os anos de vida são um dos parâmetros de avaliação da trajetória de uma organização da sociedade civil, é a capacidade de se reinventar que permite vislumbrar o seu futuro com otimismo. O caso da Fundação Stickel é exemplar nesse sentido. Em quase seis décadas de vida, a instituição criada pelo casal Erico e Martha Stickel, em 1954, seguiu passos semelhantes aos de outras organizações filantrópicas do Brasil. Começou como instituição beneficente, com foco em oferta de serviços de atendimento dentário e à saúde infantil, e passou as décadas seguintes fiel ao modelo assistencialista, que mostrou-se insuficiente tanto para resolver os problemas das comunidades beneficiadas por seu apoio como para estimular o crescimento da organização.
O impasse levou a um período de estagnação que durou até a entrada da segunda geração da família instituidora na gestão, com apoio dos fundadores. Tendo o arquiteto e artista plástico Fernando Stickel à frente, em 2004 a organização trocou a caridade pela ação de estímulo à arte e à cultura, com apoios pontuais a produtores culturais e, principalmente, programas voltados a comunidades de alta vunerabilidade social.
“Percebemos que era preciso redefinir o foco de nossa atuação quando começamos a entender melhor o desenho do terceiro setor no Brasil e como ele se insere na filantropia global”, afirma Fernando Stickel. “A sensação que se tem em momentos de mudança é única: primeiro, você descobre que a proposta da instituição envelheceu e sente um sabor amargo por causa disso; mas logo percebe que tem um mundo inteiramente novo pela frente e que essa energia é capaz de fazer a organização resgatar o espírito com que foi criada, renovar-se e, então, atuar para fazer diferença na vida das pessoas.”
Nova Missão – Hoje, a Fundação Stickel define como sua Missão “promover a inclusão social, cultural e econômica de pessoas e comunidades por meio das artes visuais, fazendo delas um instrumento de inclusão sociocultural na sociedade brasileira”. A organização escolheu um bairro-alvo para a sua ação: a Vila Brasilândia, na Zona Noroeste da cidade de São Paulo. Desde 2007, ali são desenvolvidos programas de empreendedorismo, como o de geração de renda para mulheres da comunidade, e de democratização do acesso à cultura – com foco na oferta de programas culturais e no desenvolvimento do potencial cultural da população do bairro.
Segundo o estudo DNA Paulistano, realizado pelo Instituto de Pesquisas Datafolha e o jornal Folha de S. Paulo, em 2010, 49% dos moradores da Brasilândia concluíram apenas o Ensino Fundamental e 6% têm curso superior. Somente 14% das famílias têm renda superior a cinco salários mínimos (R$ 2.700 reais); cerca de 68% pertencem às classes C (55%) e D (13%). No bairro, 49% dos moradores têm de 16 a 34 anos.
A vontade de saber mais, entretanto, também caracteriza a maior parte da população. Embora menos da metade, 44%, tenham acesso à internet, 51% leem jornais e 50%, revistas. Nesse sentido, a estratégia da Fundação Stickel de utilizar a cultura para promover mudanças veio atender a uma necessidade real da comunidade.
IDIS atua na reestruturação – No início de 2011, a organização procurou o IDIS com o objetivo de redefinir o seu Direcionamento Estratégico. Segundo a economista e consultora do IDIS, Martha Hiromoto, ao longo do ano um grupo de trabalho foi criado para discutir também os modelos de Gestão e Governança. Participaram das reuniões, profissionais da Fundação, os membros do Conselho Curador da Fundação Stickel e o presidente do IDIS, Marcos Kisil, além da própria Martha. “Esse trabalho despertou a organização para necessidades como profissionalizar a gestão e engajar o Conselho Curador em suas ações de forma mais efetiva”, explica ela.
O processo de reestruturação da Fundação Stickel está em pleno curso. Proximamente, está prevista a realização de um programa de treinamento desenvolvido especialmente para a organização discutir com seus conselheiros o novo foco estratégico e o papel de cada um neste cenário. Mas já se pode afirmar que a arte e a cultura se transformaram definitivamente em marcas da organização. “Finalmente estamos conseguindo integrar o que sempre foi um traço forte em nossa família, o apoio às artes, à ação social da Fundação Stickel”, afirma Fernando.

Link da Publicação: http://www.idis.org.br/acontece/noticias/fundacao-stickel-redefine-seu-direcionamento-estrategico/view