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Vila Olímpia

Vila Olímpia

Vila Olímpia

Exposição de fotografias do artista plástico e diretor presidente da Fundação, Fernando Stickel. As imagens fazem parte de seu livro “Vila Olímpia”, que desde o lançamento, em 2006, já passou por diversas galerias como a Pinacoteca do Estado (São Paulo), Instituto Goethe (Salvador) e Museu de Arte Contemporânea (Campinas).

Arquiteto, artista plástico e fotógrafo, Fernando Stickel começou a caminhar pela Vila Olímpia com a câmera na mão em 2004, com a intenção de fotografar os edifícios comerciais recém-construídos na parte “nobre” do bairro paulistano. Acabou mergulhando nas áreas mais antigas e degradadas, nos detalhes, ruas, calçadas, muros, tapumes, casas, portas, beirais e janelas. Esta São Paulo, apresentada no livro, é, como diz Diógenes Moura, curador de Fotografia da Pinacoteca de São Paulo, límpida, o que São Paulo não consegue ser; harmonizada em suas cores, muito menos; deliciosa de olhar em seu devaneio geométrico, tão pouco.

Ruas como telas

“Numa imagem assinalada por uma geometria simples, um recorte negro interrompe o olhar para quase criar um terceiro plano na medida em que uma esfera de vidro propõe ao espectador descobrir: que tubo azulado é aquele que ali está? O que se passa por trás desse primeiro plano? Quais as referências dessa quase-abstração? O que se esconde num anúncio cujo ponto de fuga é quase um segredo? A resposta está, ou estava, num bairro paulistano sem muita personalidade chamado Vila Olímpia. Está na série que o fotógrafo e artista plástico Fernando Stickel vem descobrindo nas ruas e recantos daquele mesmo bairro desde 2003. Estava porque a cidade, seu corpo, seus músculos, adormece com uma cor e no dia seguinte sua vida cotidiana já lhe trocou as roupas, as dores, os sons, o gozo, os dias, as noites, as palavras. A fotografia não estará mais ali. O recorte, o recanto, o tombo daquela “outra” imagem, será parte do passado.

Ao contrário da “destruição” visual imposta pelos grafites – com sua ira de torcida de futebol organizada -, onde qualquer superfície limpa é afeto para ser imediatamente poluída (costuma-se falar que é a arte dos sem vozes), as imagens de Stickel praticamente nos remete a uma cidade perfeita. Límpida, o que São Paulo não consegue ser; harmonizada em suas cores, muito menos; deliciosa de olhar em seu devaneio geométrico, tampouco. Stickel criou uma série em muitos momentos com uma apuradíssima fatura pictórica, o que leva sua fotografia para a ponta de um bisturi que perscruta os devaneios da própria cidade.

São imagens do que seria ideal, produzidas em fases que se completam dentro da simplicidade de detalhes comuns, imperceptíveis a olho nu: um corte de luz solar por trás de um tonel cria um drama onde se pode escutar barulho em volta; uma lanterna interrompendo novamente o negro de um muro qualquer se transforma num minuto de silêncio japonês; uma pin-up fragmentada entre luz e sombra, com seu corpo americanizado, é capaz de interromper o passo, para ser notada: aquela mulher transforma-se em transeunte, pulsa, vive com seus poros de plástico.

A cidade de Stickel tem seu mapa geográfico situado entre imagem e palavra, raciocínio e construção. Um filme, uma sessão particular: penumbra, urbis e tempo, que, em sua explosão luminosa, ultrapassa a expectativa do dia-a-dia e imprime São Paulo como metáfora e memória”.

Diógenes Moura
Curador de Fotografia
Pinacoteca do Estado de São Paulo

Artista: Fernando Stickel
Curadoria: Fernando Stickel
Data: 19 de agosto a 26 de outubro de 2010
Local: Casa de Cultura da Brasilândia