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Kinematógrafos

Kinematógrafos

Kinematógrafos

Os grandes rolos de imagens presos à parede, para serem acionados pelo contemplador/espectador, modificam o conceito de cinema, transformando o espectador em agente que move a imagem em movimento que se compõe na retina, mas o movimento do corpo e a força das mãos que movem as imagens. A obra de Feres Khoury nos remete a um conceito de movimento arqueológico, fundante, primordial.

A imagem estática é por si só, uma narração infinita, como nos manuscritos e nas vertiginosas paredes dos palácios e das mesquitas das culturas árabes. A cinemática da escrita coloca-se como um desafio á pretensa finitude do tempo. Khoury mescla imagens e escrita, introduz o movimento na imagem estática da escrita e introduz a estática no rolo que se move com as mãos, comoem um paradoxo zenoniano.

As alusões à magia da escrita e sua decifração, bem como as alusões presente no rolo,remontam juntas a alguns dos mais antigos documentos de escrita e sacralidade. A forma do Torah, os rolos chineses de pintura, os papiros de Alexandria, todos são lembrados em escala muito ampliada no Kinematógrafo de Feres Khoury.

Mas o repertório dos diálogos abertos por sua obra não fica por aí. As rosáceas, as espirais, os portais em todos os formatos e materiais induzem ao movimento das coisas paradas. E os 21 textos caligrafados, desde Lucrécio e Hesíodo até Shi Tao (séc.XVII, sobre as quatro estações), levam ao tempo lento da leitura e da decifração de labirintos. Todo rolo é um novelo e todo novelo é um labirinto. E todo labirinto requer a perda de si mesmo dentro de si mesmo. Assim arquiteta, Feres Khoury seus Kinematógrafos como malhas de um tempo paradoxal, que somente passa quando está parado e somente para quando está passando.

Data: de 12 de agosto a 6 de setembro de 2006
Local: Espaço Fundação Stickel