Digite a palavra-chave

Presença

Presença

Project info:

Editora: Terceiro Nome - Juan Esteves

Categories
Publicações
Year Completed:
2006

Editora: Editora Terceiro Nome
Texto: Olívio Tavares de Araujo
Design: D`lippi design + print
Impressão: Copypress 3000 exemplares Nov 2006

O título do livro, “PRESENÇA”, foi sugerido por Frans Krajcberg, e reflete a proposta deste trabalho: mostrar retratos de 138 artistas plásticos brasileiros, natos ou adotivos, de várias gerações, fotografados por Juan Esteves em ambientes como suas casas, ateliês ou galerias. Raramente conhecemos o artista que está por trás de uma obra de arte, e as fotos mostram seus olhares, seus gestos, sua expressão interior – sua presença. São 153 imagens, pois alguns artistas foram fotografados mais de uma vez, em anos diferentes. Juan Esteves iniciou este trabalho há cerca de vinte anos, quando era fotógrafo na Folha de S. Paulo, e ao longo desses vinte anos retratou representantes de diferentes gerações e tendências das artes plásticas no Brasil. Mesmo com um recorte pessoal, o livro tem caráter histórico, pois abrange desde o modernismo, o concretismo, o Grupo Rex, a Escola Brasil:,
a Geração 80 e o Ateliê Abstração, até artistas jovens. É, como diz o autor, “um trabalho denso, carregado, com olhares fortes, significativos, cheio de dúvidas e ansiedade, vivos, olhares de quem viveu uma vida complexa, produtiva e intensa”. Sobre o fotógrafo no livro: Todos os retratos são em preto-e-branco e na maioria deles os artistas estão olhando para a câmera, geralmente em seus ateliês. Há uma clara renúncia do fotógrafo pela busca do flagrante e por imagens dos artistas em atividade, por exemplo. Juan Esteves opta por composições estudadas, pela pose e pela luz precisa que ora resvala para uma dramaticidade maior realçando o alto contraste, ora se torna suave e mostra o artista envolto pelo ambiente. Mas é na direção do olhar dos artistas e na riqueza de detalhes que “Presença” ganha força e unidade, além de se filiar mais claramente à “straight photography” (fotografia direta) idealizada, entre outros, por Edward Weston (1886-1958), na década de 30. Esse tipo de fotografia privilegia a “apresentação em vez da interpretação”, valorizando a profundidade de campo e o detalhamento. Um meio eficaz para Esteves falar de seu tempo e de seus ídolos realçando o humanismo das relações e a crença na arte como força propulsora da vida.