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Eventos

Um Olhar Sobre a Brasilândia 2011

Artistas: Alunos da 2ª turma do curso Um Olhar sobre a Brasilândia
Curadoria: Arnaldo Pappalardo
Período: 09 de abril a 29 de abril de 2011
Local: Casa de Cultura da Brasilândia
Praça Benedicta Cavalheiro s/n São Paulo
(Em frente ao colégio João Solimeo)
Horário de funcionamento: seg a sex das 09:00 às 17:00

Composta por 72 fotografias, a exposição Um Olhar sobre a Brasilândia 2011 apresenta uma seleção de imagens captadas por moradores da Brasilândia, fruto do curso que realizaram no 2º semestre de 2010, na Casa de Cultura da Brasilândia. Produzidas durante o curso de fotografia que leva o mesmo nome, as imagens foram selecionadas por Arnaldo Pappalardo, professor do curso e fotógrafo, de modo a ilustrar os olhares de cada participante.

O curso, além de propiciar aulas sobre técnicas e princípios da fotografia, propõe dar algo a mais aos alunos: deseja incentivá-los a ver com diferentes olhares o local onde moram. Nessa edição do curso, que ocorreu entre agosto e dezembro de 2010, contou ainda com a participação de Gabriela Saraceni para as aulas de softwares e ferramentas da internet – para o tratamento de imagens, navegação na web e publicação em blogs. Foram disponibilizadas aos participantes 10 máquinas fotográficas digitais, adquiridas com apoio da T.Tanaka Nikon e um laboratório com equipamentos para revelação analógica, doação dos fotógrafos Jefferson Costa e Cláudia Andujar

Participaram dessa exposição Antonio Soares Coutinho Filho, Augusto Agapes Galdino, Claudia Helaine Antonioli de Araujo, Gilberto Cezar, Jaqueline Paulino Marcelino, Julia Maria Campos, Leydiane Ribeiro dos Santos, Maria Aparecida Campos dos Santos, Maria de Fátima Alves Barbosa, Silvana Maria Campos Pupo, Laudeni da Silva Morais, Marli Aparecida dos Santos Conceição, Marcos Leandro Bertucelli de Campos e Tainan de Souza Barros.

Olhar A Brasilândia – Inventar A Brasilândia

Qual é o assunto desse conjunto de fotografias?

Ruas, grafites, um galo, flores, crianças numa sala de aula, uma mesa de bilhar, escadarias, uma vassoura em um quintal, a noite, um gato sobre a cama, fachadas de casas, roupas no varal, o entardecer, terreno baldio, auto-retratos no espelho, uma coleção de bonecas…

Da visão “macro” de uma paisagem mostrando ao fundo o Pico do Jaraguá, à visão “micro” do detalhe de uma tatuagem.
O que particulariza este conjunto de imagens não é a unidade e sim a diversidade temática, elas se apresentam quase como um quebra-cabeça de peças que não se encaixam precisamente, seja pela forma, seja pelo conteúdo.

Nossa ambição não foi a de concluirmos o nosso processo de trabalho de um semestre com um “pacote fechado”, e sim de deixarmos o conjunto de imagens um pouco inacabado, para generosamente convidar o visitante a penetrar em seu interior e, possivelmente com sua leitura, completar o quebra-cabeça.

Em um nível mais sutil e profundo de leitura é preciso que mergulhemos em cada uma dessas imagens e deixemos que elas “atravessem” não apenas a nossa cabeça, mas o nosso corpo como um todo: coração, estômago, vísceras…
Deixemo-nos ser levados pela correnteza dessas águas com certa displicência, sem pensar muito nos “porquês”, pois o nosso mundo aqui fora já está suficientemente travado por explicações racionais.

Uma imagem visual na maioria das vezes é lida diferentemente de um texto, onde as palavras são seguidas umas das outras em uma sequência linear. “Lemos” uma imagem fotográfica de uma outra maneira… pulamos de um ponto para o outro sem muita lógica e cada espectador fará um percurso diferente com seu olhar.

Escolhendo umas das imagens aqui expostas, observo inicialmente um jogo de “futebol de várzea”… meus olhos vão para um canto e vêem papéis jogados na grama… inexplicavelmente eles dão um “salto” e vejo uma estranha fumaça que “nasce” de um dos cantos da trave do gol… fico um pouco inquieto com a posição do goleiro um pouco fora do centro da imagem… volto para o papel amassado… observo os demais jogadores ao fundo.

Em resumo, lemos as imagens circularmente e não linearmente!

Conforme vamos penetrando nesse passeio sem fim, vamos nos “desconectando” um pouco de nosso universo limitado pelo real e seguimos passeando por muitos outros “devires”.

Aí sim adentraremos mais amplamente no mundo das imagens, pois ele só existe magicamente diante do olhar de quem está olhando, como um mágico que faz aparecer objetos na palma da mão.

As melhores imagens são aquelas que revelam mais “coisas”.

Convidamos a todos para embarcar nesta “viagem imagética”, não apenas pela Brasilândia, que está aqui fora, mas a que transpassa pelo universo “mágico” desse conjunto de fotografias e que, a partir da relação ativa de cada espectador com as fotografias, possamos inventar muitas Brasilândias.

Arnaldo Pappalardo

Veja imagens do Programa Educativo realizado ao longo do período de exibição.
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.187901711275440.47751.100001668365156&type=3

+ fotos:
http://www.facebook.com/media/set/?set=a.571732696180913.1073741831.488217591199091&type=3